É incontornável! Tenho mesmo que falar de escutas.
O direito à privacidade deve ser respeitado, e quando alguém conta a outra pessoa que sofre quando o Benfica perde, essa informação deve permanecer na esfera de conhecimento dessas duas pessoas, pelo menos existe esse direito e faz sentido porque não interfere significativamente com mais ninguém.
Quando alguém chora num jogo do Benfica, no Estádio da Luz, os quinhentos que estão à volta devem pura e simplesmente olhar para o lado, e no dia seguinte ir ao psicólogo fazer uma lavagem ao cérebro?
Se alguém passa na escada do prédio e ouve o vizinho de baixo a combinar com a mulher uma maneira dos vizinhos do rés-do-chão e do primeiro andar não irem à reunião de condóminos, afastando-os de decisões importantes, este facto deve ser ignorado, uma vez que se trata de conversa do foro privado?
A lei nunca é perfeita.
Privado não é (só!) algo feito ou falado no âmbito restrito de uma ou mais pessoas. Se alguém no meio da multidão anda aos saltinhos, isso de facto pouco ou nada interfere com os outros. Se pelo contrário duas pessoas fechadas numa gruta combinam fazer explodir um comboio, ou dar uma tareia em alguém, ou "acariciar" um árbitro, ou utilizar o dinheiro do condomínio para fazer a festa de anos lá de casa, a conversa que decorre é privada mas o alcance é mais abrangente. Interfere com os outros! E se os outros sabem, os do comboio os do prédio, as pessoas em geral, o mais natural é que não ignorem o facto, muito pelo contrário. Os próprios (os da gruta) também deveriam reagir, encolhendo-se, corando de vergonha, tirando a cabeça (suja) da areia, assumindo-se.
Claro que existe direito à privacidade, enquanto esta o fôr.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
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