Ontem, foi uma noite gloriosa. Deu para saltar por cima da mesa de centro da sala, dar passinhos de corrida na carpete, soltar adrenalina, vibrar! A rua inteira pulsou ruidosa quando dos golos, e sentiram-se estremecimentos (mesmo!) no prédio.
Este Benfica que foi um gigante contra o Marselha já não é um "talvez", um "está melhor", ou um "pode ser que ganhe a liga": é um Benfica espectacular, de surpreendente eficácia, impetuoso e seguro.
A noite seguiu acariciada com o calor da vitória, e não havia mesmo cabeça para outra coisa: o comando da tv por cabo saltava de bloco noticioso em bloco noticioso para ver mais uma vez o mesmo resumo, os mesmos comentários, as mesmas declarações, num processo de deliciosa perversão.
Lá mais para o fim (da noite) já só sobrava um programa de desporto na rtpn, de nome "pontapé de saída". E eu continuava eufórico, ávido de exaltação e lá fui mudando de canal, mudando de canal, passando de quando em vez no oito, como se isso pudesse fazer o relógio andar mais depressa ou o programa começar antes.
Mas enfim, lá começou.
Os habituais intervenientes estavam ausentes (se calhar em França!).
Não é que fui surpreendido com o pivot com quatro comentadores que pareciam estar a comentar o 11 de Setembro, um tsunami, os terramotos do Haiti ou as inundações diluvianas na Madeira.
Era perguntado qualquer coisa ao primeiro, que respondia sempre sério e circunspecto, os lábios em movimentos contidos (como quem fala com comida na boca), sem nunca gesticular, sem expressões faciais de nota, sem haver diálogo de e com os outros, de corpo sempre rígido e sonolento. A mesma pergunta - mais ou menos - era "passada" ao segundo que mantinha o nível: direitinho, triste, sisudo. E lá continuava até ao quarto, passando-se à pergunta seguinte e repetindo-se a cena à volta, sem diálogos, sem um sorriso, sem um berro, sem um gesto de mãos, sem uma emoção.
Desliguei
Eu estava na muito boa disposição de "levar" com o habitual: um comentador do Benfica um comentador do Porto e um comentador do Sporting, com comentários absolutamentre expectáveis, normalmente também não suportáveis. Mas ontem eu "papava" tudo: sorrisos, esgares de raiva, interrupções aos gritos, um conteúdo intragável mas VIVO!
A pergunta é: Teria acontecido algo antes do programa de muito grave (muito grave mesmo) que justificasse o ambiente pesado e absolutamente desinteressante?
Ou será que depois adormeci no sofá e pese embora o sorriso nos lábios tenha tido um pesadelo e aquilo não aconteceu.
Seja como for, para que não restem dúvidas, ou simplemente para ver outra vez, outra vez e outra vez, aqui estão os golos.
sexta-feira, 19 de março de 2010
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