domingo, 25 de abril de 2010

Reviver o Passado no Túnel do Rossio

Esta última terça-feira, foi um dia memorável. Tive uma reunião no Terreiro do Paço, e resolvi recorrer aos transportes públicos apanhando o comboio da Linha de Sintra em Massamá.
Estava um sol simpático, um dia primaveril e lá fui eu!
A primeira grande surpresa foi ter descoberto que para muitas pessoas a modernidade pode significar a impossibilidade de tirarem bilhete: A estação está em reconstrução e aparentemente não existe bilheteira, as máquinas de venda automática implicam algum à vontade com as novas tecnologias, para além de que estão viradas a sul, ou seja ao sol, e quase não se vê. A minha mãe voltava para trás e o mesmo aconteceria com uma parte significativa da população.
Nos últimos... talvez trinta anos, utilizei o comboio duas ou três vezes, e nunca até ao Rossio, pelo que foi com emoção que revivi esse percurso, que sem ser a Linha do Tua também tem a capacidade de avivar memórias, especialmente o trajecto final do túnel, marcante pela sonoridade própria do ruído matraqueante sobre os carris, e pelo breu repentino que transmite a sensação de sairmos por momentos para uma outra dimensão de que regressamos com a chegada ao coração de Lisboa.
Em semana de "25 de Abril", recordei-me dessa manhã de 1974: na altura eu fazia o percurso Amadora - Rossio todos os dias porque andava a estudar no Colégio Académico nos Anjos; um amigo e colega, o Vitor Ferreira, ligou-me talvez perto das oito a dar a notícia: há uma revolução!
Por esse tempo com dezoito anos, já tinha alguma consciência política, já era contra a situação, já contestava as regras autoritárias e cinzentas que minavam a vida das pessoas, já lamentava o isolamento do país, já fugira da polícia numa manifestação no Rossio uns meses antes, e o mesmo numa reunião (arriscada) do MDP-CDE na Amadora!
Por isso, para além da exaltação de qualquer coisa que de repente rasga o quotidiano, percebi o que estava a acontecer. Encontrámo-nos todos - um grupo de amigos - na Minabela, o café onde baseávamos o nosso relacionamento, e não resistimos: depois de almoço, contrariando a prudência e os avisos, e respondendo ao apelo da euforia fomos para a baixa! O ambiente era o que vemos nos filmes a preto e branco: populares a gritar, a encorajar, a participar, soldados armados, tanques, tensão, incerteza... e eu estava lá! Na António Maria Cardoso, junto à sede da Pide DGS o ambiente era especialmente tenso: muita gente, muita tropa, um murmúrio permanente. Quando cheguei a alguns metros do local, talvez um prédio abaixo do lado contrário, houvem-se tiros! Empurrei a porta do prédio e corri escada acima até ao último piso; fui seguido por uma outra pessoa qualquer. Ficámos sempre em silêncio, ofegantes, atentos. O meu coração batia acelaradamente. Depois fomos descendo lenta e prudentemente, de ouvidos alerta, de novo até ao rés-do-chão. Estive ali um bocado, espreitando e entrando consecutivamente, até perceber que podia sair. Desci a rua como quem foge do diabo, procurei os meus amigos, e depois regressei - um bocadinho de rabo entre as pernas, como cão assustado - ao aconchego de casa.
Hoje, quando cheguei a Massamá estava inesperadamente a chover!
Debaixo de umas arcadas acotovelava-se um grupo de pessoas apanhadas desprevenidas pela mudança súbita das condições climatéricas.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Olá trecolarecos!

Olá trecolarecos!
Estamos por cá e por cá estaremos, mas nem sempre é fácil alinhavar linhas e ideias. Para já ficam as primeiras, no final de um dia que espremido deu de positivo a audição do novo cd do Pedro Abrunho. Regresso às guitarradas e um som mais próximo das origens. Na 1ª audição, no carro e a saltar de faixa para faixa, não foi arrasador mas valeu a pena. Canção de embalar na última faixa super catita. Ouvir com mais atenção.

domingo, 18 de abril de 2010

A natureza das coisas

Trecolarecos
Desde que começou o trecolarecos nunca tinha estado tanto tempo sem escrever umas linhas. Compreende-se, mas acho que o vou continuar (é! estava em reflexão). Mesmo tendo nascido nos calores dos momentos inflamados e à luz de um colectivo, e vendo-o praticamente orfão reconheço-o ainda assim mais crescidinho, quase com vontade própria, e por isso tenho de tratar dele. E ele merece.
Não deixará o espírito plural, e quanto ao futuro logo se vê! Pode até ficar mais... aberto!

Nuvens
A semana está a ser dominda pela nuvem de cinzas vulcânicas com origem na Islândia, que de repente paralisou o mundo europeu que anda sempre a "dar ar à pluma". No inícío ouvi pessoas que se mostravam indignadas com o facto de estarem retidas, porque tinham compromissos um ou dois dias depois.
Tratando-se da natureza podem esperar sentadas.
Claro que era uma precipitação, mas agora todos os que são afectados pela situação mostram um estado de espírito positivo. Na verdade, quanto ao mais elementar da vida nada é determinável, nada é seguro, tudo é resultado da permanente transformação que é a própria natureza.
Se pensarmos que somos mais do que realmente somos corremos o risco de nos perdermos.

Emoções
Faltam poucas horas para o Benfica jogar em Coimbra com a Académica, e já estou com a atenção, a perturbação, a intranquilidade e a impaciência do costume. Parece que estou a falar agora das coisas não importantes mas não é assim: realizamo-nos na bricadeira, no jogo, nas emoções, na disputa.
Se ganharmos ou empatarmos o "Puerto" já não é "campiom" este ano. Primeira e capital vitória. (cá está: capital... até lhes dói).
Se isso acontecer (ganhar ou empatar) ficamos com quatro ou seis pontos de vantagem sobre o segundo a três jogos do fim do campeonato.
Se por um acaso da... natureza perdessemos (ocorrência rara), a partir das 20h sintonizava o National Geographic ou o Odisseia, e amanhã de manhã o meu posto de rádio seria a Antena 2.
Mas não. Vamos ganhar!