sábado, 9 de outubro de 2010
Gaivotas em Terra
As últimas vezes que escrevi artigos no trecolarecos foram para falar de coisas desagradáveis, contrariando a ideia de o fazer num tom de brincadeira e sobre tudo o que me viesse à cabeça. Mas as circunstâncias não deixam, cá estou de novo.
Em Maio, admitindo finalmente que existia uma crise, o governo manifestou a intenção de criar um pacote de medidas excepcionais para resolver os problemas financeiros do país até ao final de 2011. Precisava para isso de apoio parlamentar, o que conseguiu (à luz do superior interesse da nação) levando o responsável do partido que votou favoravelmente as medidas a pedir desculpa ao país por as viabilizar.
Poucos meses depois o mesmo governo vem outra vez dizer a mesma coisa, agora envolvendo a necessidade de medidas de muito maior dramatismo.
O PSD declarou que só viabilizaria um novo pacote de austeridade se não se aumentasse outra vez a carga fiscal sobre os portugueses, agindo antes na despesa.
O executivo, perante essa declaração, anunciou de imediato um conjunto de medidas para o OE de 2011 que prevê novo aumento do IVA, e que reduz os salários da função pública a partir de três ordenados mínimos de 3 a 10% máximos.
Isto configura um beco quase sem saída. Tantas gaivotas em terra que nem se vêem as nuvens.
Já se tinha desconfiado quando há um ano o défice era de 3% antes das eleições e algumas semanas depois passava a mais do dobro; a mentira escondia um país moribundo.
Este primeiro ministro está no cargo há cerca de seis anos e porconseguinte revelou-se absolutamente imcompetente.
E agora?
Para mim o aumento do IVA seria um erro gravíssimo. Já o tinha dito há uns meses.
A lógica do governo é o imediatismo da medida, mas esquece-se de pensar! O fluxo de dinheiro é como uma estrutura com água: muitos canos, uns fininhos, outros mais grossos, tubagens centrais, caixas de passagem, etc.. A água disponível no sistema (para talvez 70/80% da população) não aumenta só por se abrir mais uns furinhos. Esta maioria de pessoas vive com até dois ordenados mínimos, e nestas circunstâncias a disponibilidade para gastar será a mesma. Aumenta o IVA 2% (outra vez!) mas as pessoas continuam a gastar o mesmo. Toda a estrutura de comércio e serviços vai assim entregar só mais um bocadinho de IVA o que distrai os distraídos, vendendo menos e portanto agravando-se a sua situação. Todo a actividade retrai.
As pessoas vão viver pior, as empresas vão ficar pior, continuando a fechar e vai aumentar ou manter-se o brutal desemprego existente.
O Estado vai iludir-se durante alguns - poucos - meses porque entrou mais um bocadinho de dinheiro.
Quanto à redução de salários as medidas são perfeitamente justificáveis mas deviam ter sido tomadas há pelo menos três anos, sem o desconforto e provável contestação que agora vai existir, e com um esforço que nesse momento poderia ter sido de 1/3 ou metade do agora anunciado.
E porque é que são só os funcionários públicos a serem abrangidos? Baixar os salários será inconstitucional, mas então poderia ser feito o equivalente nos escalões do IRS. Na função pública era na prática a mesma coisa, e o sector privado era também abrangido.
E agora?
O cenário que prefiro será a proposta de medidas na despesa que compensem o aumento do IVA, que seria assim anulado. Se isto não for possível estarei em desacordo com quaisquer partidos que viabilizem as propostas que por enquanto se conhecem, e prefiria que o nosso primeiro ministro se demitisse e que o PR formasse um governo de transição.
Encontrem-se soluções que não tentem ir buscar o dinheiro aonde não existe, e construa-se um plano nacional de desenvolvimento, uma estratégia.
Faça-se habilidosamente (o menos possível de atritos) um plano que refunde a ética e a eficiência do Estado. Meta-se essa gente toda numa casa até existir um acordo para as leis serem viabilizadas no parlamento sem ruído.
Agora!
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Surpreendente... ou nem por isso
Os incêndios
Para começar este rol de coisas que me perturbam, aí estão de novo os incêndios, uma das que me irrita particularmente, nomeadamente quando se tenta criar a ideia de que resultam em grande maioria de accão criminosa.
Se considerarmos acção criminosa deitar beatas de cigarro pela janela dos carros, garrafas, fazer fogueiras, não limpar as florestas e o chamado "mato"... então sim!
Claro que depois há que somar a todos estes "crimes" os fogos postos, sejam eles por taras ou demências sejam por vinganças ou mesmo por motivos de negócio. Tudo isto existe!
Mas sempre que uma pessoa responsável e conhecedora do que está a dizer refere que a origem dos incêndios não é natural num dia com centenas de ignições, está a conduzir - na minha opinião - para a ideia errada de que a maioria foram fogos postos.
Deve claramente ser dito ao país que:
• Estão condições meteorológicas limite, com temperaturas extremas e com indíces de humidade no ar baixíssimos, uma vez que todo o território está com ar de trajecto continental.
• Os pinhais florestas e bosques não foram convenienetemente limpos (as árvores e a vegetação mais rasteira e anual portanto completamente seca).
• Não tem existido uma campanha eficaz para alterar os comportamentos das pessoas (a causa principal).
• Os nossos meios de combate aos incêndios serão - enquanto país com poucos recursos - escassos.
Scuts
A história das auto-estradas em que não se pagava, denominadas de "Sem Custos para os Utentes", tinha nascido - precisamente pelo conceito - torta!
Recentemente a "gestão do condomínio" tinha resolvido que se passava a pagar e depois ainda que o que faria sentido seria não se pagar só em áreas com rendimento per capita abaixo de x...!
O senhor "primeiro" (com letra pequenina) quer assim um sistema em que os que vivem muito mal nas zonas globalmente com maior rendimento per capita paguem este tipo de vias (e outras coisas, porque não?) e que as pessoas com poder de compra muito acima da média, que vivam nas zonas globalmente com menor rendimento per capita não paguem!.
Como é que é possível aguentar esta absoluta incoerência?
A diferença de contributo para o estado (carga fiscal suportada) deve resultar da especificidade individual dos rendimentos dos indivíduos.
O que o senhor "primeiro" devia ter resolvido - não resolveu, agravou - é a capacidade dos cidadãos para pagar a utilização das vias especiais.
Freeport - A janela de oportunidade
Depois de um ano de empolgada "marcação em cima" por parte da comunicação social ao caso Freeport foi finalmente conhecida a decisão de levar a julgamento os dois sócios da consultora que protagonizou o pretenso caso de corrupção com o nosso "primeiro". Sempre achei que o inglês e o outro tinham utilizado uma janela de oportunidade para à luz de corrupção inexistente encherem os bolsos. Só que a janela de oportunidade veio a ser "primeiro" do rectângulo.
Não consigo perceber a comunicação social, que depois de tanto empolgamento não conseguiu adiantar nada sobre o que os constituídos arguidos declararam, porque das duas uma, ou mantém que deram o dinheiro a alguém supostamente relacionado com o "primeiro" para obter favores no licenciamento, ou então dão o dito por não dito assumindo a extorsão.
Uma destas posições tem de estar em princípio em cima da mesa.
Também já ouvi dizer que no despacho são referidas vinte e tal perguntas que deveriam ter sido ser colocadas ao "primeiro" mas... que não houve tempo.
domingo, 23 de maio de 2010
Só com o nariz de fora (os mais altos)
Da última vez que escrevi umas linhas no trecolareco falava sobre a "acção directa" - termo popularizado por um deputado, e no perigo de ser uma manobra de treino daquela rapaziada.
Aí está!
O tal deputado saiu de circulação - são as técnicas/ciência do marketing político - daqui por duas semanas, três dias e dezasseis horas pode voltar "limpinho" que já ninguém se lembra.
Com esta coisa do aumento do IVA vai passar-se o mesmo.
Sejamos claros, o aumento do IVA destina-se a criar condições para que a nossa situação de queda no abismo se inverta. Para isso acontecer, para além de ser necessário reunir no imediato moedinhas é necessário e mais importante ainda começar a gerar mais riqueza, e a gastar menos.
A minha convicção é que o aumento do IVA vai no imediato reunir as moedinhas, mas vai deprimir ainda mais o funcionamento do mercado e por conseguinte da riqueza e como reflexo da economia.
Devíamos acompanhar o resultado destes aumentos, ou seja saber se o Estado vai conseguir:
- Fazer crecer em 20% a receita de IVA à nova taxa de 6%
- Fazer crescer em 8,33% a receita de IVA de 13%
- Fazer crescer em 5% a receita de IVA da taxa de 21%
Importa assim perceber se o consumo vai ser o mesmo, ou se os portugueses - como eu acho - vão maioritariamente gastar o mesmo, comendo menos, saindo menos ao fim de semana, indo menos ao café, comprando menos roupa, poupando... nada.
Se as receitas fiscais com o IVA não crescerem o que atrás refiro - 20% 8%e 5% , isso significa que mesmo que reunam no imediato mais moedinhas, a dinâmica que gera trocas e riqueza vai pelo contrário cair, se é que ainda é possível mais.
No pântano que outrora dava pelos joelhos agora vêem-se de fora só alguns narizes.
Aí está!
O tal deputado saiu de circulação - são as técnicas/ciência do marketing político - daqui por duas semanas, três dias e dezasseis horas pode voltar "limpinho" que já ninguém se lembra.
Com esta coisa do aumento do IVA vai passar-se o mesmo.
Sejamos claros, o aumento do IVA destina-se a criar condições para que a nossa situação de queda no abismo se inverta. Para isso acontecer, para além de ser necessário reunir no imediato moedinhas é necessário e mais importante ainda começar a gerar mais riqueza, e a gastar menos.
A minha convicção é que o aumento do IVA vai no imediato reunir as moedinhas, mas vai deprimir ainda mais o funcionamento do mercado e por conseguinte da riqueza e como reflexo da economia.
Devíamos acompanhar o resultado destes aumentos, ou seja saber se o Estado vai conseguir:
- Fazer crecer em 20% a receita de IVA à nova taxa de 6%
- Fazer crescer em 8,33% a receita de IVA de 13%
- Fazer crescer em 5% a receita de IVA da taxa de 21%
Importa assim perceber se o consumo vai ser o mesmo, ou se os portugueses - como eu acho - vão maioritariamente gastar o mesmo, comendo menos, saindo menos ao fim de semana, indo menos ao café, comprando menos roupa, poupando... nada.
Se as receitas fiscais com o IVA não crescerem o que atrás refiro - 20% 8%e 5% , isso significa que mesmo que reunam no imediato mais moedinhas, a dinâmica que gera trocas e riqueza vai pelo contrário cair, se é que ainda é possível mais.
No pântano que outrora dava pelos joelhos agora vêem-se de fora só alguns narizes.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Acção directa
Na outra semana passou na televisão um documentário sobre carteiristas. Devia ter também como objectivo para além da vertente informativa a prevenção, porque a própria polícia permitiu a divulgação de imagens (acho que todas em Lisboa) dos ditos em actividade. É malta muito profissional: um encosto na entrada para o metro, um pedido de desculpas cordato, com a mãozinha nas costas e... a carteira "já era"!
Depois revemos as imagens em câmara lenta e lá está: no momento do encosto acidental a maõzinha rápida vai ao bolso do encostado de forma surpreendentemente ágil, como prestigitador profisional, manipulador de cartas e objectos.
No finalzinho da semana, fui surpreendido com mais uma cena semelhante, só que desta vez em pleno parlamento! Esta malta está afoita.
Primeiro não percebi - tinha a televisão sem som - e só depois quando passaram (a tal técnica) as imagens em câmara lenta deu para ver a subtileza do gesto, o à vontade com que depois de agarrados os objectos - como quem passa a mão pela mesa e diz: pronto vou-me embora - se levanta levando então a mão ao bolso (já recheada) em postura decontraída.
O mais estranho desta actuação em comparação com as outras é que nas primeiras a rapaziada das carteiras não sabe que está a ser filmada, mas nesta última sabe!
Falta-lhes ainda o calo.
Será que dada a crise (a tal que não deve afectar Portugal) estão a preparar esta gente para ir ainda mais longe. Eles bem dizem que tudo farão...
Depois revemos as imagens em câmara lenta e lá está: no momento do encosto acidental a maõzinha rápida vai ao bolso do encostado de forma surpreendentemente ágil, como prestigitador profisional, manipulador de cartas e objectos.
No finalzinho da semana, fui surpreendido com mais uma cena semelhante, só que desta vez em pleno parlamento! Esta malta está afoita.
Primeiro não percebi - tinha a televisão sem som - e só depois quando passaram (a tal técnica) as imagens em câmara lenta deu para ver a subtileza do gesto, o à vontade com que depois de agarrados os objectos - como quem passa a mão pela mesa e diz: pronto vou-me embora - se levanta levando então a mão ao bolso (já recheada) em postura decontraída.
O mais estranho desta actuação em comparação com as outras é que nas primeiras a rapaziada das carteiras não sabe que está a ser filmada, mas nesta última sabe!
Falta-lhes ainda o calo.
Será que dada a crise (a tal que não deve afectar Portugal) estão a preparar esta gente para ir ainda mais longe. Eles bem dizem que tudo farão...
domingo, 25 de abril de 2010
Reviver o Passado no Túnel do Rossio
Esta última terça-feira, foi um dia memorável. Tive uma reunião no Terreiro do Paço, e resolvi recorrer aos transportes públicos apanhando o comboio da Linha de Sintra em Massamá.
Estava um sol simpático, um dia primaveril e lá fui eu!
A primeira grande surpresa foi ter descoberto que para muitas pessoas a modernidade pode significar a impossibilidade de tirarem bilhete: A estação está em reconstrução e aparentemente não existe bilheteira, as máquinas de venda automática implicam algum à vontade com as novas tecnologias, para além de que estão viradas a sul, ou seja ao sol, e quase não se vê. A minha mãe voltava para trás e o mesmo aconteceria com uma parte significativa da população.
Nos últimos... talvez trinta anos, utilizei o comboio duas ou três vezes, e nunca até ao Rossio, pelo que foi com emoção que revivi esse percurso, que sem ser a Linha do Tua também tem a capacidade de avivar memórias, especialmente o trajecto final do túnel, marcante pela sonoridade própria do ruído matraqueante sobre os carris, e pelo breu repentino que transmite a sensação de sairmos por momentos para uma outra dimensão de que regressamos com a chegada ao coração de Lisboa.
Em semana de "25 de Abril", recordei-me dessa manhã de 1974: na altura eu fazia o percurso Amadora - Rossio todos os dias porque andava a estudar no Colégio Académico nos Anjos; um amigo e colega, o Vitor Ferreira, ligou-me talvez perto das oito a dar a notícia: há uma revolução!
Por esse tempo com dezoito anos, já tinha alguma consciência política, já era contra a situação, já contestava as regras autoritárias e cinzentas que minavam a vida das pessoas, já lamentava o isolamento do país, já fugira da polícia numa manifestação no Rossio uns meses antes, e o mesmo numa reunião (arriscada) do MDP-CDE na Amadora!
Por isso, para além da exaltação de qualquer coisa que de repente rasga o quotidiano, percebi o que estava a acontecer. Encontrámo-nos todos - um grupo de amigos - na Minabela, o café onde baseávamos o nosso relacionamento, e não resistimos: depois de almoço, contrariando a prudência e os avisos, e respondendo ao apelo da euforia fomos para a baixa! O ambiente era o que vemos nos filmes a preto e branco: populares a gritar, a encorajar, a participar, soldados armados, tanques, tensão, incerteza... e eu estava lá! Na António Maria Cardoso, junto à sede da Pide DGS o ambiente era especialmente tenso: muita gente, muita tropa, um murmúrio permanente. Quando cheguei a alguns metros do local, talvez um prédio abaixo do lado contrário, houvem-se tiros! Empurrei a porta do prédio e corri escada acima até ao último piso; fui seguido por uma outra pessoa qualquer. Ficámos sempre em silêncio, ofegantes, atentos. O meu coração batia acelaradamente. Depois fomos descendo lenta e prudentemente, de ouvidos alerta, de novo até ao rés-do-chão. Estive ali um bocado, espreitando e entrando consecutivamente, até perceber que podia sair. Desci a rua como quem foge do diabo, procurei os meus amigos, e depois regressei - um bocadinho de rabo entre as pernas, como cão assustado - ao aconchego de casa.
Hoje, quando cheguei a Massamá estava inesperadamente a chover!
Debaixo de umas arcadas acotovelava-se um grupo de pessoas apanhadas desprevenidas pela mudança súbita das condições climatéricas.
Estava um sol simpático, um dia primaveril e lá fui eu!
A primeira grande surpresa foi ter descoberto que para muitas pessoas a modernidade pode significar a impossibilidade de tirarem bilhete: A estação está em reconstrução e aparentemente não existe bilheteira, as máquinas de venda automática implicam algum à vontade com as novas tecnologias, para além de que estão viradas a sul, ou seja ao sol, e quase não se vê. A minha mãe voltava para trás e o mesmo aconteceria com uma parte significativa da população.
Nos últimos... talvez trinta anos, utilizei o comboio duas ou três vezes, e nunca até ao Rossio, pelo que foi com emoção que revivi esse percurso, que sem ser a Linha do Tua também tem a capacidade de avivar memórias, especialmente o trajecto final do túnel, marcante pela sonoridade própria do ruído matraqueante sobre os carris, e pelo breu repentino que transmite a sensação de sairmos por momentos para uma outra dimensão de que regressamos com a chegada ao coração de Lisboa.
Em semana de "25 de Abril", recordei-me dessa manhã de 1974: na altura eu fazia o percurso Amadora - Rossio todos os dias porque andava a estudar no Colégio Académico nos Anjos; um amigo e colega, o Vitor Ferreira, ligou-me talvez perto das oito a dar a notícia: há uma revolução!
Por esse tempo com dezoito anos, já tinha alguma consciência política, já era contra a situação, já contestava as regras autoritárias e cinzentas que minavam a vida das pessoas, já lamentava o isolamento do país, já fugira da polícia numa manifestação no Rossio uns meses antes, e o mesmo numa reunião (arriscada) do MDP-CDE na Amadora!
Por isso, para além da exaltação de qualquer coisa que de repente rasga o quotidiano, percebi o que estava a acontecer. Encontrámo-nos todos - um grupo de amigos - na Minabela, o café onde baseávamos o nosso relacionamento, e não resistimos: depois de almoço, contrariando a prudência e os avisos, e respondendo ao apelo da euforia fomos para a baixa! O ambiente era o que vemos nos filmes a preto e branco: populares a gritar, a encorajar, a participar, soldados armados, tanques, tensão, incerteza... e eu estava lá! Na António Maria Cardoso, junto à sede da Pide DGS o ambiente era especialmente tenso: muita gente, muita tropa, um murmúrio permanente. Quando cheguei a alguns metros do local, talvez um prédio abaixo do lado contrário, houvem-se tiros! Empurrei a porta do prédio e corri escada acima até ao último piso; fui seguido por uma outra pessoa qualquer. Ficámos sempre em silêncio, ofegantes, atentos. O meu coração batia acelaradamente. Depois fomos descendo lenta e prudentemente, de ouvidos alerta, de novo até ao rés-do-chão. Estive ali um bocado, espreitando e entrando consecutivamente, até perceber que podia sair. Desci a rua como quem foge do diabo, procurei os meus amigos, e depois regressei - um bocadinho de rabo entre as pernas, como cão assustado - ao aconchego de casa.
Hoje, quando cheguei a Massamá estava inesperadamente a chover!
Debaixo de umas arcadas acotovelava-se um grupo de pessoas apanhadas desprevenidas pela mudança súbita das condições climatéricas.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Olá trecolarecos!
Olá trecolarecos!
Estamos por cá e por cá estaremos, mas nem sempre é fácil alinhavar linhas e ideias. Para já ficam as primeiras, no final de um dia que espremido deu de positivo a audição do novo cd do Pedro Abrunho. Regresso às guitarradas e um som mais próximo das origens. Na 1ª audição, no carro e a saltar de faixa para faixa, não foi arrasador mas valeu a pena. Canção de embalar na última faixa super catita. Ouvir com mais atenção.
Estamos por cá e por cá estaremos, mas nem sempre é fácil alinhavar linhas e ideias. Para já ficam as primeiras, no final de um dia que espremido deu de positivo a audição do novo cd do Pedro Abrunho. Regresso às guitarradas e um som mais próximo das origens. Na 1ª audição, no carro e a saltar de faixa para faixa, não foi arrasador mas valeu a pena. Canção de embalar na última faixa super catita. Ouvir com mais atenção.
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Pedro Abrunhosa
domingo, 18 de abril de 2010
A natureza das coisas
Trecolarecos
Desde que começou o trecolarecos nunca tinha estado tanto tempo sem escrever umas linhas. Compreende-se, mas acho que o vou continuar (é! estava em reflexão). Mesmo tendo nascido nos calores dos momentos inflamados e à luz de um colectivo, e vendo-o praticamente orfão reconheço-o ainda assim mais crescidinho, quase com vontade própria, e por isso tenho de tratar dele. E ele merece.
Não deixará o espírito plural, e quanto ao futuro logo se vê! Pode até ficar mais... aberto!
Nuvens
A semana está a ser dominda pela nuvem de cinzas vulcânicas com origem na Islândia, que de repente paralisou o mundo europeu que anda sempre a "dar ar à pluma". No inícío ouvi pessoas que se mostravam indignadas com o facto de estarem retidas, porque tinham compromissos um ou dois dias depois.
Tratando-se da natureza podem esperar sentadas.
Claro que era uma precipitação, mas agora todos os que são afectados pela situação mostram um estado de espírito positivo. Na verdade, quanto ao mais elementar da vida nada é determinável, nada é seguro, tudo é resultado da permanente transformação que é a própria natureza.
Se pensarmos que somos mais do que realmente somos corremos o risco de nos perdermos.
Emoções
Faltam poucas horas para o Benfica jogar em Coimbra com a Académica, e já estou com a atenção, a perturbação, a intranquilidade e a impaciência do costume. Parece que estou a falar agora das coisas não importantes mas não é assim: realizamo-nos na bricadeira, no jogo, nas emoções, na disputa.
Se ganharmos ou empatarmos o "Puerto" já não é "campiom" este ano. Primeira e capital vitória. (cá está: capital... até lhes dói).
Se isso acontecer (ganhar ou empatar) ficamos com quatro ou seis pontos de vantagem sobre o segundo a três jogos do fim do campeonato.
Se por um acaso da... natureza perdessemos (ocorrência rara), a partir das 20h sintonizava o National Geographic ou o Odisseia, e amanhã de manhã o meu posto de rádio seria a Antena 2.
Mas não. Vamos ganhar!
Desde que começou o trecolarecos nunca tinha estado tanto tempo sem escrever umas linhas. Compreende-se, mas acho que o vou continuar (é! estava em reflexão). Mesmo tendo nascido nos calores dos momentos inflamados e à luz de um colectivo, e vendo-o praticamente orfão reconheço-o ainda assim mais crescidinho, quase com vontade própria, e por isso tenho de tratar dele. E ele merece.
Não deixará o espírito plural, e quanto ao futuro logo se vê! Pode até ficar mais... aberto!
Nuvens
A semana está a ser dominda pela nuvem de cinzas vulcânicas com origem na Islândia, que de repente paralisou o mundo europeu que anda sempre a "dar ar à pluma". No inícío ouvi pessoas que se mostravam indignadas com o facto de estarem retidas, porque tinham compromissos um ou dois dias depois.
Tratando-se da natureza podem esperar sentadas.
Claro que era uma precipitação, mas agora todos os que são afectados pela situação mostram um estado de espírito positivo. Na verdade, quanto ao mais elementar da vida nada é determinável, nada é seguro, tudo é resultado da permanente transformação que é a própria natureza.
Se pensarmos que somos mais do que realmente somos corremos o risco de nos perdermos.
Emoções
Faltam poucas horas para o Benfica jogar em Coimbra com a Académica, e já estou com a atenção, a perturbação, a intranquilidade e a impaciência do costume. Parece que estou a falar agora das coisas não importantes mas não é assim: realizamo-nos na bricadeira, no jogo, nas emoções, na disputa.
Se ganharmos ou empatarmos o "Puerto" já não é "campiom" este ano. Primeira e capital vitória. (cá está: capital... até lhes dói).
Se isso acontecer (ganhar ou empatar) ficamos com quatro ou seis pontos de vantagem sobre o segundo a três jogos do fim do campeonato.
Se por um acaso da... natureza perdessemos (ocorrência rara), a partir das 20h sintonizava o National Geographic ou o Odisseia, e amanhã de manhã o meu posto de rádio seria a Antena 2.
Mas não. Vamos ganhar!
domingo, 28 de março de 2010
Que Luz!
Esta semana foi fértil em coisas em que apetece falar. No desporto o assunto do denominado túnel da Luz revela que as leis que regulam a justiça desportiva da Liga são absolutamente ineficazes.
Como é que um determinado acontecimento pode ter exclusivamente duas possibilidades de enquadramento para efeitos de punição, e que dão origem a três e quatro jogos numa opção e a a quatro e seis meses de castigo na outra? É inacreditável e a responsabilidade tem de ser atribuída a quam validou a repectiva legislação.
Repito: um acontecimento, duas possibilidades de enquadramento, 500%, 600% 700% ou mais de amplitude no castigo a aplicar. E como se isto não bastasse, a legislação permite que exista a suspensão temporária de meses, quando existia a possibilidade de enquadrar a coisa em três e quatro jogos. É brilhante.
Pareceu-me desde logo que os meses de punição do acórdão da Liga eram excessivos, mas muito mais claramente me parecem inconsistentes os três e quatro jogos agora anunciados pela federação em última instância. Está tudo doido, como custuma dizer o AJJ.
Mudando de ares, e por falar em ar, ontem dia da vitória do meu Benfiquinha sobre o Braga foi dia de assinalar a necessidade de poupança de energia, com iniciativas em várias partes do mundo e também por cá: apagão de monumentos e zonas iluminadas das grandes cidades, e apagão em casa dos cidadãos. Hoje está tudo "normalizado".
Sugestão ao Estado: Anunciem que na iluminação dos monumentos e iluminações públicas decorativas se vai reduzir o tempo de funcionamento em 10%. Anunciem que todos os cidadãos, por cada 1% de poupança anual, pagam menos 1% no valor da energia até ao limite de 10%.
Reconheço que existe hoje uma consciência nesta matéria, mas o que é necessário é objectividade e eficácia.
Como é que um determinado acontecimento pode ter exclusivamente duas possibilidades de enquadramento para efeitos de punição, e que dão origem a três e quatro jogos numa opção e a a quatro e seis meses de castigo na outra? É inacreditável e a responsabilidade tem de ser atribuída a quam validou a repectiva legislação.
Repito: um acontecimento, duas possibilidades de enquadramento, 500%, 600% 700% ou mais de amplitude no castigo a aplicar. E como se isto não bastasse, a legislação permite que exista a suspensão temporária de meses, quando existia a possibilidade de enquadrar a coisa em três e quatro jogos. É brilhante.
Pareceu-me desde logo que os meses de punição do acórdão da Liga eram excessivos, mas muito mais claramente me parecem inconsistentes os três e quatro jogos agora anunciados pela federação em última instância. Está tudo doido, como custuma dizer o AJJ.
Mudando de ares, e por falar em ar, ontem dia da vitória do meu Benfiquinha sobre o Braga foi dia de assinalar a necessidade de poupança de energia, com iniciativas em várias partes do mundo e também por cá: apagão de monumentos e zonas iluminadas das grandes cidades, e apagão em casa dos cidadãos. Hoje está tudo "normalizado".
Sugestão ao Estado: Anunciem que na iluminação dos monumentos e iluminações públicas decorativas se vai reduzir o tempo de funcionamento em 10%. Anunciem que todos os cidadãos, por cada 1% de poupança anual, pagam menos 1% no valor da energia até ao limite de 10%.
Reconheço que existe hoje uma consciência nesta matéria, mas o que é necessário é objectividade e eficácia.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Benfica empolga - Pressão Alta
Ontem, foi uma noite gloriosa. Deu para saltar por cima da mesa de centro da sala, dar passinhos de corrida na carpete, soltar adrenalina, vibrar! A rua inteira pulsou ruidosa quando dos golos, e sentiram-se estremecimentos (mesmo!) no prédio.
Este Benfica que foi um gigante contra o Marselha já não é um "talvez", um "está melhor", ou um "pode ser que ganhe a liga": é um Benfica espectacular, de surpreendente eficácia, impetuoso e seguro.
A noite seguiu acariciada com o calor da vitória, e não havia mesmo cabeça para outra coisa: o comando da tv por cabo saltava de bloco noticioso em bloco noticioso para ver mais uma vez o mesmo resumo, os mesmos comentários, as mesmas declarações, num processo de deliciosa perversão.
Lá mais para o fim (da noite) já só sobrava um programa de desporto na rtpn, de nome "pontapé de saída". E eu continuava eufórico, ávido de exaltação e lá fui mudando de canal, mudando de canal, passando de quando em vez no oito, como se isso pudesse fazer o relógio andar mais depressa ou o programa começar antes.
Mas enfim, lá começou.
Os habituais intervenientes estavam ausentes (se calhar em França!).
Não é que fui surpreendido com o pivot com quatro comentadores que pareciam estar a comentar o 11 de Setembro, um tsunami, os terramotos do Haiti ou as inundações diluvianas na Madeira.
Era perguntado qualquer coisa ao primeiro, que respondia sempre sério e circunspecto, os lábios em movimentos contidos (como quem fala com comida na boca), sem nunca gesticular, sem expressões faciais de nota, sem haver diálogo de e com os outros, de corpo sempre rígido e sonolento. A mesma pergunta - mais ou menos - era "passada" ao segundo que mantinha o nível: direitinho, triste, sisudo. E lá continuava até ao quarto, passando-se à pergunta seguinte e repetindo-se a cena à volta, sem diálogos, sem um sorriso, sem um berro, sem um gesto de mãos, sem uma emoção.
Desliguei
Eu estava na muito boa disposição de "levar" com o habitual: um comentador do Benfica um comentador do Porto e um comentador do Sporting, com comentários absolutamentre expectáveis, normalmente também não suportáveis. Mas ontem eu "papava" tudo: sorrisos, esgares de raiva, interrupções aos gritos, um conteúdo intragável mas VIVO!
A pergunta é: Teria acontecido algo antes do programa de muito grave (muito grave mesmo) que justificasse o ambiente pesado e absolutamente desinteressante?
Ou será que depois adormeci no sofá e pese embora o sorriso nos lábios tenha tido um pesadelo e aquilo não aconteceu.
Seja como for, para que não restem dúvidas, ou simplemente para ver outra vez, outra vez e outra vez, aqui estão os golos.
Este Benfica que foi um gigante contra o Marselha já não é um "talvez", um "está melhor", ou um "pode ser que ganhe a liga": é um Benfica espectacular, de surpreendente eficácia, impetuoso e seguro.
A noite seguiu acariciada com o calor da vitória, e não havia mesmo cabeça para outra coisa: o comando da tv por cabo saltava de bloco noticioso em bloco noticioso para ver mais uma vez o mesmo resumo, os mesmos comentários, as mesmas declarações, num processo de deliciosa perversão.
Lá mais para o fim (da noite) já só sobrava um programa de desporto na rtpn, de nome "pontapé de saída". E eu continuava eufórico, ávido de exaltação e lá fui mudando de canal, mudando de canal, passando de quando em vez no oito, como se isso pudesse fazer o relógio andar mais depressa ou o programa começar antes.
Mas enfim, lá começou.
Os habituais intervenientes estavam ausentes (se calhar em França!).
Não é que fui surpreendido com o pivot com quatro comentadores que pareciam estar a comentar o 11 de Setembro, um tsunami, os terramotos do Haiti ou as inundações diluvianas na Madeira.
Era perguntado qualquer coisa ao primeiro, que respondia sempre sério e circunspecto, os lábios em movimentos contidos (como quem fala com comida na boca), sem nunca gesticular, sem expressões faciais de nota, sem haver diálogo de e com os outros, de corpo sempre rígido e sonolento. A mesma pergunta - mais ou menos - era "passada" ao segundo que mantinha o nível: direitinho, triste, sisudo. E lá continuava até ao quarto, passando-se à pergunta seguinte e repetindo-se a cena à volta, sem diálogos, sem um sorriso, sem um berro, sem um gesto de mãos, sem uma emoção.
Desliguei
Eu estava na muito boa disposição de "levar" com o habitual: um comentador do Benfica um comentador do Porto e um comentador do Sporting, com comentários absolutamentre expectáveis, normalmente também não suportáveis. Mas ontem eu "papava" tudo: sorrisos, esgares de raiva, interrupções aos gritos, um conteúdo intragável mas VIVO!
A pergunta é: Teria acontecido algo antes do programa de muito grave (muito grave mesmo) que justificasse o ambiente pesado e absolutamente desinteressante?
Ou será que depois adormeci no sofá e pese embora o sorriso nos lábios tenha tido um pesadelo e aquilo não aconteceu.
Seja como for, para que não restem dúvidas, ou simplemente para ver outra vez, outra vez e outra vez, aqui estão os golos.
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Pressão Alta
domingo, 14 de fevereiro de 2010
As escutas. O direito à privacidade
É incontornável! Tenho mesmo que falar de escutas.
O direito à privacidade deve ser respeitado, e quando alguém conta a outra pessoa que sofre quando o Benfica perde, essa informação deve permanecer na esfera de conhecimento dessas duas pessoas, pelo menos existe esse direito e faz sentido porque não interfere significativamente com mais ninguém.
Quando alguém chora num jogo do Benfica, no Estádio da Luz, os quinhentos que estão à volta devem pura e simplesmente olhar para o lado, e no dia seguinte ir ao psicólogo fazer uma lavagem ao cérebro?
Se alguém passa na escada do prédio e ouve o vizinho de baixo a combinar com a mulher uma maneira dos vizinhos do rés-do-chão e do primeiro andar não irem à reunião de condóminos, afastando-os de decisões importantes, este facto deve ser ignorado, uma vez que se trata de conversa do foro privado?
A lei nunca é perfeita.
Privado não é (só!) algo feito ou falado no âmbito restrito de uma ou mais pessoas. Se alguém no meio da multidão anda aos saltinhos, isso de facto pouco ou nada interfere com os outros. Se pelo contrário duas pessoas fechadas numa gruta combinam fazer explodir um comboio, ou dar uma tareia em alguém, ou "acariciar" um árbitro, ou utilizar o dinheiro do condomínio para fazer a festa de anos lá de casa, a conversa que decorre é privada mas o alcance é mais abrangente. Interfere com os outros! E se os outros sabem, os do comboio os do prédio, as pessoas em geral, o mais natural é que não ignorem o facto, muito pelo contrário. Os próprios (os da gruta) também deveriam reagir, encolhendo-se, corando de vergonha, tirando a cabeça (suja) da areia, assumindo-se.
Claro que existe direito à privacidade, enquanto esta o fôr.
O direito à privacidade deve ser respeitado, e quando alguém conta a outra pessoa que sofre quando o Benfica perde, essa informação deve permanecer na esfera de conhecimento dessas duas pessoas, pelo menos existe esse direito e faz sentido porque não interfere significativamente com mais ninguém.
Quando alguém chora num jogo do Benfica, no Estádio da Luz, os quinhentos que estão à volta devem pura e simplesmente olhar para o lado, e no dia seguinte ir ao psicólogo fazer uma lavagem ao cérebro?
Se alguém passa na escada do prédio e ouve o vizinho de baixo a combinar com a mulher uma maneira dos vizinhos do rés-do-chão e do primeiro andar não irem à reunião de condóminos, afastando-os de decisões importantes, este facto deve ser ignorado, uma vez que se trata de conversa do foro privado?
A lei nunca é perfeita.
Privado não é (só!) algo feito ou falado no âmbito restrito de uma ou mais pessoas. Se alguém no meio da multidão anda aos saltinhos, isso de facto pouco ou nada interfere com os outros. Se pelo contrário duas pessoas fechadas numa gruta combinam fazer explodir um comboio, ou dar uma tareia em alguém, ou "acariciar" um árbitro, ou utilizar o dinheiro do condomínio para fazer a festa de anos lá de casa, a conversa que decorre é privada mas o alcance é mais abrangente. Interfere com os outros! E se os outros sabem, os do comboio os do prédio, as pessoas em geral, o mais natural é que não ignorem o facto, muito pelo contrário. Os próprios (os da gruta) também deveriam reagir, encolhendo-se, corando de vergonha, tirando a cabeça (suja) da areia, assumindo-se.
Claro que existe direito à privacidade, enquanto esta o fôr.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Ser ou não ser
LUME BRANDO
Alheiras de caça
Recentemente, e depois de uma conversa em que dei conta que não comia alheiras há muitos anos, resolvi comprar uma. Não ficou mal, mas comecei uma guerra com o rebentamento excessivo do enchido, o que resolvi ao fim de mais três tentativas. Entretanto experimentei mais do que uma marca e tipo de alheira, e neste processo - depois de uma conversa sobre as alheiras e a sua história, que remonta à maneira como os judeus faziam os enchidos porque não podiam comer porco, e porque fazendo-os com aves despistavam os seus perseguidores que presumiam vendo enchidos ao fumeiro não serem judeus - resolvi comprar no Pingo Doce uma Alheira de Caça. Depois de consumida, e não muito convencido com o paladar, fui ver o rótulo para saber que caça tinha, e está referido veado, javali e suíno...
Suíno?!, num produto que diz "alheira de caça" e quando já existe na composição javali? Será que para além de veado e javali, soltam os porcos e abatem-nos como sendo caça? A gordura utilizada é também de suíno.
Não fui tentar saber mais sobre o produto, mas fico com a sensação que "alheira de caça" é basicamente um título, embora veado e javali, principalmente este, apontem para produtos de caça.
Já agora acrescento que a Alheira de Mirandela do mesmo estabelecimento (custando menos quase 50%) é bastante melhor na minha opinião. A sua composição é um terço porco, um terço galinha e um terço pão, e a gordura é o azeite. Funciona bem assim, é menos indigesta pela presença de carne de aves, e aproxima-se mais, segundo sei, da receita que deu origem à popularidade deste enchido. O ideal seria uma alheira assim, em que o javali substituísse o porco e a galinha fosse pelo menos "do campo", e já agora que o pão continuasse a ser... pão!
PIRI-PIRI
Certidões Permanentes (e Certidões PEC)
As certidões comerciais eram tiradas exclusivamente por um ano, com um custo de cerca de 20 euros. São três ou quatro fotocópias assinadas.
Há pouco mais de uma ano, quando tirei a última, o funcionário da conservatória chamou-me a atenção para o facto de terem sido criadas novas certidões permanentes, a serem tiradas no site portaldaempresa.pt.
Precisei agora novamente de uma, e fui ver a esse site o que era a certidão permanente; lá estava ela, a novíssima e revolucionária certidão, que permite que dos 5/6 atendedores que existia na Conservatória, agora restem dois, a bocejar. Isto claro, retira stress ao cidadão, filas pela escada abaixo, e permite uma enorme economia na gestão pública, o que faz sentido. É a modernidade!
Se podemos administrar o condomínio por menos dinheiro devemos fazê-lo!
Lá estava: Certidão permanente: Por um ano, cerca de vinte euros.
Certidão permanente...? um ano?...(o mesmo tempo!) os mesmos vinte euros!
Em que é que ficamos?
Ahhhh!... é que agora pode-se tirar também certidões... PEC (digo eu!) ou seja, por dois ou por três anos... com desconto, claro está, mas pagando tudo antecipadamente sem saber se vai ser necessário. Brilhante.
Vou saber mais, porque posso estar a fazer um juízo pouco fundamentado, mas chamar permanente a uma coisa que tem a validade de um ano não parece ... bem.
Fui à Conservatória, revi aquela malta toda (os dois), e demorei... dois minutos. Vinte euros.
Trecolarecos
Acabou a sondagem que durante um mês "apalpou" os trecolarecos: 100% de resultados positivos (sim, o trecolarecos pode ser interessante).
Não houve votos em branco, ... mas a abstenção situou-se nos 50%!
Alheiras de caça
Recentemente, e depois de uma conversa em que dei conta que não comia alheiras há muitos anos, resolvi comprar uma. Não ficou mal, mas comecei uma guerra com o rebentamento excessivo do enchido, o que resolvi ao fim de mais três tentativas. Entretanto experimentei mais do que uma marca e tipo de alheira, e neste processo - depois de uma conversa sobre as alheiras e a sua história, que remonta à maneira como os judeus faziam os enchidos porque não podiam comer porco, e porque fazendo-os com aves despistavam os seus perseguidores que presumiam vendo enchidos ao fumeiro não serem judeus - resolvi comprar no Pingo Doce uma Alheira de Caça. Depois de consumida, e não muito convencido com o paladar, fui ver o rótulo para saber que caça tinha, e está referido veado, javali e suíno...
Suíno?!, num produto que diz "alheira de caça" e quando já existe na composição javali? Será que para além de veado e javali, soltam os porcos e abatem-nos como sendo caça? A gordura utilizada é também de suíno.
Não fui tentar saber mais sobre o produto, mas fico com a sensação que "alheira de caça" é basicamente um título, embora veado e javali, principalmente este, apontem para produtos de caça.
Já agora acrescento que a Alheira de Mirandela do mesmo estabelecimento (custando menos quase 50%) é bastante melhor na minha opinião. A sua composição é um terço porco, um terço galinha e um terço pão, e a gordura é o azeite. Funciona bem assim, é menos indigesta pela presença de carne de aves, e aproxima-se mais, segundo sei, da receita que deu origem à popularidade deste enchido. O ideal seria uma alheira assim, em que o javali substituísse o porco e a galinha fosse pelo menos "do campo", e já agora que o pão continuasse a ser... pão!
PIRI-PIRI
Certidões Permanentes (e Certidões PEC)
As certidões comerciais eram tiradas exclusivamente por um ano, com um custo de cerca de 20 euros. São três ou quatro fotocópias assinadas.
Há pouco mais de uma ano, quando tirei a última, o funcionário da conservatória chamou-me a atenção para o facto de terem sido criadas novas certidões permanentes, a serem tiradas no site portaldaempresa.pt.
Precisei agora novamente de uma, e fui ver a esse site o que era a certidão permanente; lá estava ela, a novíssima e revolucionária certidão, que permite que dos 5/6 atendedores que existia na Conservatória, agora restem dois, a bocejar. Isto claro, retira stress ao cidadão, filas pela escada abaixo, e permite uma enorme economia na gestão pública, o que faz sentido. É a modernidade!
Se podemos administrar o condomínio por menos dinheiro devemos fazê-lo!
Lá estava: Certidão permanente: Por um ano, cerca de vinte euros.
Certidão permanente...? um ano?...(o mesmo tempo!) os mesmos vinte euros!
Em que é que ficamos?
Ahhhh!... é que agora pode-se tirar também certidões... PEC (digo eu!) ou seja, por dois ou por três anos... com desconto, claro está, mas pagando tudo antecipadamente sem saber se vai ser necessário. Brilhante.
Vou saber mais, porque posso estar a fazer um juízo pouco fundamentado, mas chamar permanente a uma coisa que tem a validade de um ano não parece ... bem.
Fui à Conservatória, revi aquela malta toda (os dois), e demorei... dois minutos. Vinte euros.
Trecolarecos
Acabou a sondagem que durante um mês "apalpou" os trecolarecos: 100% de resultados positivos (sim, o trecolarecos pode ser interessante).
Não houve votos em branco, ... mas a abstenção situou-se nos 50%!
sábado, 23 de janeiro de 2010
O Clarão!
AAS (parece alcoólicos anónimos mas não) é a Associação de Adeptos Sportinguistas, e reclamou junto da presidência do clube um inquérito para esclarecer as fugas de informação relativamente ao combate entre o ex-atleta Sá Pinto (lembram-se do KO a Artur Jorge?) e o atleta Liedson, peso leve ainda no activo.
Devo dizer que a fuga de informação foi fraquita, porque só ouvi mesmo falar de que houve o combate, mas pormenores "zero". Foi um clarãozito.
Não sei se o senhor Procurador da República é sportinguista, porque se for, e assim que desvinculado das responsabilidades de Estado bem pode dar uma mãozinha na organização verde-branca. Talvez assim eu pudesse assistir confortavelmente no sofá ao tão falado frente-a-frente, em flashvideo tiradinho do youtube, como aliás já fiz com alguns dos clips que lá estão relativos ao chamado apito dourado. Não vi tudo, claro, é preciso tempo, mas alguns são engraçados, como o encontro de um empresário ligado a um presidente de clube, com um árbitro, atrás de uma igreja. Segundo o árbitro (“amiguinho” como o trata o empresário depois do encontro estar agendado) um almoço seria muito "clarão”.
O vídeo seguinte (na cronologia do enredo) deve estar ali para despistar porque não acontece mesmo nada, e diz respeito à viagem do empresário e do árbitro a casa do senhor presidente de clube, que vai dando indicações pelo telefone relativamente ao caminho: à esquerda, à direita; não! segues em frente... sim sim, sempre em frente. Uma rotunda? Contornas um bocadinho e segues em frente.
Ah! Sempre em frente!...
Dois dias depois o árbitro irá arbitrar um jogo do clube deste senhor presidente, para a casa de quem se estão a dirigir os dois, depois do tal encontro atrás da igreja... longe do clarão.
Bolas, que tédio, os produtores podiam muito bem ter misturado tudo num só vídeo, apagando a palha e deixando o conteúdo… sério.
Mesmo assim ainda dava muito tempo de filme.
Uma coisa curiosa: ontem quando espreitei os vídeos no recato da privacidade, e receoso da ilegalidade da divulgação dos conteúdos, as visualizações eram salvo erro duzentas e tal; hoje são trezentas e tal... mil.
Grande Clarão!
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Pressão Alta
domingo, 17 de janeiro de 2010
REcomeçar... cadê o povo?
Estamos de cara nova. Não foi fácil! Não é fácil!
Muita coisa ainda é a apalpar (maneira ancestral de aproximação). Para ter sido possível "lavar a fachada" só um dos layouts disponíveis permitia que:
- existisse um cabeçalho de "costa a costa" a morder, com a possibilidade de (sem recurso a imagem) ter o título do blogue alinhado pela caixa principal de texto (à esquerda).
- Que as duas zonas base - coluna principal e coluna lateral secundária fossem não "esticáveis" mas antes de larguras fixas.
- Que essas larguras fossem alteráveis passando relativamente ao template original a ser mais largas.
Muitas das coisas em que estive a mexer foram feitas através da programação HTML, coisa em que nunca tinha tocado.
No fundo até preferia que tudo fosse possível de customizar através de linhas programação, mas a estrutura de construção do blogue, como funciona partindo de templates que permitem a entrada de elementos variáveis só apresenta os códigos html por blocos, e em muitas das coisas não se consegue mexer, pelo menos assim à partida.
Outro problema com que tenho lutado tem sido o designado recent posts, que está (dois gadjets) disponível para edição customizada, mas não funciona bem. Acabei por fazê-lo através de gadjet exterior e depois de muitas batalhas optei por "deixar cair" nessa lista o nome do autor do texto. porque sempre que o colocava o programa criava linhas em branco intermédias, e meia dúzia de textos recentes ocupavam grande parte da coluna lateral sem necessidade; mas o nome do autor era uma informação importante.
Por agora fica assim, mas fico de olho nele... e vou tentar um recent posts em que possa mexer na customização à vontade. Também me apercebi agora que a listagem não está a ser actualizada... e não consigo tirar o filet à imagem deste texto. Ufa!
NOTA FINAL (FORA DE CONTEXTO... OU NÃO): cadê o povo?
Muita coisa ainda é a apalpar (maneira ancestral de aproximação). Para ter sido possível "lavar a fachada" só um dos layouts disponíveis permitia que:
- existisse um cabeçalho de "costa a costa" a morder, com a possibilidade de (sem recurso a imagem) ter o título do blogue alinhado pela caixa principal de texto (à esquerda).
- Que as duas zonas base - coluna principal e coluna lateral secundária fossem não "esticáveis" mas antes de larguras fixas.
- Que essas larguras fossem alteráveis passando relativamente ao template original a ser mais largas.
Muitas das coisas em que estive a mexer foram feitas através da programação HTML, coisa em que nunca tinha tocado.
No fundo até preferia que tudo fosse possível de customizar através de linhas programação, mas a estrutura de construção do blogue, como funciona partindo de templates que permitem a entrada de elementos variáveis só apresenta os códigos html por blocos, e em muitas das coisas não se consegue mexer, pelo menos assim à partida.
Outro problema com que tenho lutado tem sido o designado recent posts, que está (dois gadjets) disponível para edição customizada, mas não funciona bem. Acabei por fazê-lo através de gadjet exterior e depois de muitas batalhas optei por "deixar cair" nessa lista o nome do autor do texto. porque sempre que o colocava o programa criava linhas em branco intermédias, e meia dúzia de textos recentes ocupavam grande parte da coluna lateral sem necessidade; mas o nome do autor era uma informação importante.
Por agora fica assim, mas fico de olho nele... e vou tentar um recent posts em que possa mexer na customização à vontade. Também me apercebi agora que a listagem não está a ser actualizada... e não consigo tirar o filet à imagem deste texto. Ufa!
NOTA FINAL (FORA DE CONTEXTO... OU NÃO): cadê o povo?
sábado, 16 de janeiro de 2010
A "coisa" tem vida
A "coisa" tem vida, mexe-se, ganha novas cores e alinha com as novas tendências. Graficamente estamos mais bonitos. Aliás, sendo nós uns gajos e gajas giraços e de bom gosto era de esperar que o objectivo seja este: construir o blogue com o melhor look do mundo e quiçá do Alentejo.
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novo design
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Olá cambada
Bora lá!
Se "a coisa" funcionar esta é, a título pessoal, a minha primeira vez na net; só por isso, o "treco" já valeu a pena. Parabens ao Jorge C.
Para além do carácter iniciático, a "coisa" prova, antes de mais, que a democratização da tecnologia permite que até os velhos e cansados, como nós, podem transformar-se em produtores de informação e conteúdos. Tenhamos a arte e o engenho para o fazer porque essa é a forma de não pasarmos ao lado do presente.
Assim sendo, não podia deixar de aceitar o desafio. Partilhar, nem que seja um blogue, com amigos é sempre uma obrigação e um prazer. Estamos aí para a aventura; vamos ver o que isto dá. Contém comigo.
Se "a coisa" funcionar esta é, a título pessoal, a minha primeira vez na net; só por isso, o "treco" já valeu a pena. Parabens ao Jorge C.
Para além do carácter iniciático, a "coisa" prova, antes de mais, que a democratização da tecnologia permite que até os velhos e cansados, como nós, podem transformar-se em produtores de informação e conteúdos. Tenhamos a arte e o engenho para o fazer porque essa é a forma de não pasarmos ao lado do presente.
Assim sendo, não podia deixar de aceitar o desafio. Partilhar, nem que seja um blogue, com amigos é sempre uma obrigação e um prazer. Estamos aí para a aventura; vamos ver o que isto dá. Contém comigo.
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primeira vez
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Não entendo
Existe no acesso ao blogue uma caixa chamada de permissões. Nessa caixa pude indicar os vossos mails para serem "convidados" a fazer parte da coisa.
Como nunca mais acontecia nada no blogue que sugerisse que esses convites tinham tido o feedback (som fininho das guitarras eléctricas) lógico, enviei-vos mail a perguntar se tinham recebido alguma coisa.
Não tinham!
Entretanto entrei agora novamente nessa área do site e está considerado que esses convites foram efectivados em 1/1/2010.
Pude reenviá-los. Espero que aconteça alguma coisa. Vocês são convidados a aderir ao blogue. Para tal é necessário abrir uma conta no Google. Não morde! é necessária a existência de uma conta de e-mail, e podem abrir uma outra qualquer, diferente da vossa "básica", num outro sítio qualquer.
By By
Como nunca mais acontecia nada no blogue que sugerisse que esses convites tinham tido o feedback (som fininho das guitarras eléctricas) lógico, enviei-vos mail a perguntar se tinham recebido alguma coisa.
Não tinham!
Entretanto entrei agora novamente nessa área do site e está considerado que esses convites foram efectivados em 1/1/2010.
Pude reenviá-los. Espero que aconteça alguma coisa. Vocês são convidados a aderir ao blogue. Para tal é necessário abrir uma conta no Google. Não morde! é necessária a existência de uma conta de e-mail, e podem abrir uma outra qualquer, diferente da vossa "básica", num outro sítio qualquer.
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Prazeres
Foi um prazer estar num jantarinho com amigos. É sempre!
Especialmente anteontem em que eu estava down.
Mas escrevo isto para dizer que, no que toca ao "shop shop" achei a coisa fraca. O meu salmão estava quase cru por dentro, e o folhado por fora algo queimado. Achei estranho, e já da última vez - neste local - achara a comida menos boa. Pode ser coincidência.
Fica o reparo. Fico de ouvido alerta para saber o que é que acharam, uma vez que na janta esse aspecto ficou escondido e sem importância. E ainda bem!
Nota: a foto ao lado foi para compor a página porque não consigo tirar essa faixa de layout... ufa!
Especialmente anteontem em que eu estava down.
Mas escrevo isto para dizer que, no que toca ao "shop shop" achei a coisa fraca. O meu salmão estava quase cru por dentro, e o folhado por fora algo queimado. Achei estranho, e já da última vez - neste local - achara a comida menos boa. Pode ser coincidência.
Fica o reparo. Fico de ouvido alerta para saber o que é que acharam, uma vez que na janta esse aspecto ficou escondido e sem importância. E ainda bem!
Nota: a foto ao lado foi para compor a página porque não consigo tirar essa faixa de layout... ufa!
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